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Porque é a única candidata e está entre os poucos políticos desse país capaz de se preocupar com o meio ambiente de forma sistêmica, como um problema econômico, social, como parte das nossas atividades e através da busca de um diálogo, saindo do lugar comum que basta a economia crescer que tudo estará bem, como vemos presente nas idéias e discursos de Dilma Roussef, José Serra, Lula, Fernando Henrique Cardoso, Paulo Maluf, Orestes Quércia e tantos outros.

O crescimento deveria ser um subproduto não buscado do modelo de desenvolvimento, cuja finalidade maior deveria ser o equilíbrio social e ambiental local, acima do global e acima dos interesses dos grandes centros econômicos e políticos. Até porque mesmo esses grandes centros tem sua sustentação dependente do que vamos fazer de agora em diante para reverter a enorme degradação social e ambiental à nossa volta – ou alguém ainda acha normal um jovem, um ser humano semelhante a nós, entrar num ônibus e jogar uma bomba para explodi-lo numa cidade que foi escolhida como sede das Olímpiadas? Ou alguém acha normal o Brasil ser sede das Olímpiadas quando a maior parte das escolas públicas não tem nem quadra poli-esportiva para serem usadas e os professores de educação física arcam com equipamentos do próprio bolso? Pois é, precisamos mostrar como anda a situação de esportes para os jovens das escolas públicas, só o ufanismo de termos sido escolhidos para sediar os jogos não basta.

A proposta de lei do Cristovam Buarque de obrigar os políticos a colocar seus filhos na escola pública (http://nossofuturocomum.blogspot.com/2009/11/projeto-de-lei.html) tem que se apoiada. Mais que isso: o transporte e os hospitais públicos deveriam ser obrigatórios para todos os políticos. A merenda escolar deveria ser entregue também para os filhos dos políticos: essa é a única forma deles provarem que prestam um bom serviço à população.

Só vamos melhorar o Brasil e a qualidade dos serviços públicos que o governo nos oferece e ao mesmo tempo mudar o modelo de desenvolvimento econômico que entrega de graça nossas florestas ao resto do mundo ganancioso e já em colapso, como a China e os Estados Unidos, com uma pessoa como a Marina Silva. Ela tem um histórico e um rico conhecimento sobre o quanto é importante redimensionar as idéias malucas dos economistas que acreditam ainda que o planeta é um subsistema das economias e que a economia pode ser maior que a Terra e preconizam o crescimento eterno esfacelador de todos os serviços ecológicos que nos sustentam como solução para todos os nossos males.

Sim, Marina Silva agora é a nossa única esperança. Quando penso na morte da Amazônia, que pode acontecer de uma hora para outra se insistirmos no seu desmatamento contínuo e na política de desenvolvimento suicida que já criou um deserto maior que a França e o Reino Unido dentro da nossa floresta, lembro imediatamente da Marina Silva, na sua ligação com Chico Mendes, na sua atitude heróica. A Amazônia é continuamente destruída e a cada dia amanhecemos com menos florestas, o mesmo ritmo de destruição dos países como a China e os Estados Unidos, que esgotaram tudo e só não entraram em colapso por conta do comércio internacional, que lhes dá acesso gratuito aos recursos da natureza de países cegos como o nosso, que não mudam o debate internacional cego à nossa volta e ainda elogiam suas investidas contra nós e nosso meio ambiente.

Só Marina Silva reduziria a pressão para construção de usinas hidrelétricas totalmente desnecessárias, pois basta cortar o desperdício e fazer atualização tecnológica da infra-estrutura de energia já existente (a Folha de São Paulo publicou várias matérias a esse respeito) e a oferta dobraria sem ser necessário nem Rio Madeira nem Belo Monte. É o planeta que dá as regras e não nós e há um limite que ainda não enxergamos para nossas atividades, bem como há uma total falta de sentido em manter um sistema econômico no qual de cada 150 dólares adicionados à riqueza mundial só 60 centavos chegam aos mais pobres. Ou alguém ainda acha que o crescimento econômico está voltado à liberdade e o desenvolvimento individual, à criação de empregos permanentes bem remunerados e não apenas temporários? Quando alguém vai entender que o emprego só se justifica quando a economia cresce e desaparece imediatamente no contrário e que não importa qual nível material a economia atinja, ele só se justifica se a economia for capaz de atingir um nível maior. Isso é um absurdo físico e planetário que assusta os cientistas, porque podemos deixar a Terra ainda banhada em sol entregue apenas à vida bacteriana se continuarmos nessa rota.

Só Marina Silva é capaz de entender e revogar esses absurdos. Mais ninguém. Os demais políticos e candidatos querem acabar com o Cerrado e a Amazônia e com o pouco que nos resta, para exportar o que não precisamos para nosso consumo próprio e manter a megalomania de nações que ainda não entenderam que a conta chegou através das atuais mudanças climáticas, da contínua extinção da vida (a maior dos últimos 65 milhões de anos) e da ruína dos serviços ecológicos, como polinização e água.

Só Marina Silva.

Hugo Penteado, formado em Economia na graduação e mestrado na Universidade de São Paulo. Trabalha no mercado financeiro há mais de 20 anos. Autor do livro Ecoeconomia – Uma Nova Abordagem (Ed. Lazuli, 2003).

http://nossofuturocomum.blogspot.com/

2010 começou triste, com muitas tragédias ambientais, com tantas mortes nas estradas. Desastres anunciados, que poderiam ser evitados com melhor planejamento, capacitação e ações preventivas.

No horizonte político, o ano iniciou com nuvens de boatos, especulações e informações distorcidas, que tentam reduzir a importância da pré-candidatura presidencial de Marina Silva (PV). Claro, está iniciada a contagem regressiva para as eleições de outubro e sabemos que não teremos um (desejável) ambiente limpo e elevado nos debates e práticas políticas. A poesia e utopia ainda não conseguem prevalecer nesse mundo da disputa de poder.

Portanto, nada de lamúrias. É preciso firmeza, paciência, trabalho e idealismo para enfrentar a crueza da política rasteira que ainda reina em todos os lugares. E insistir, persistir, persuadir, somar, sem perder as referências, nem se distanciar dos sonhos, nem cair na tentação de usar as mesmas armas sujas.

Com a senadora Marina Silva, continuamos seguros da urgência e necessidade estratégica de construir uma alternativa política sintonizada com um novo modelo de desenvolvimento sustentável para o Brasil. É uma tarefa complexa, exaustiva, pouco compreendida, mas não vamos trocar a linha de frente de um projeto conectado com o futuro para ficar a reboque de velhos projetos, amarrados ao passado.

Sabemos que a nossa missão é abrir caminhos para novas percepções. E temos consciência de que novos caminhos começam com ousadias, minorias, perseveranças. E o mundo espera novidades do Brasil. Exemplo: uma instituição internacional que relaciona periodicamente as 100 coisas que devem ser vistas com atenção no ano que começa destaca Marina Silva. Veja no link: http://bit.ly/6wk73E ”100 Things to Watch in 2010″ . Depois de Lula, Marina é a política brasileira mais conhecida e prestigiada internacionalmente, e com maior experiência em relações externas no campo da emergente economia de baixo carbono (participou de todas as Conferências de Clima da ONU, desde 2003, quando assumiu o Ministério do Meio Ambiente).

Nos ciclos das evoluções humanas, os degraus civilizatórios começam com inovações pontuais, viabilizam-se quando conquistam uns 30% da opinião pública e começam a apodrecer quando tornam-se maioria absoluta. Quando uma ideia ou um hábito começa a beirar a unanimidade é sinal que chegou a hora de ser reciclado, aprimorado, reinventado, dando início a um novo ciclo de evolução.

Na política brasileira recente, o PSDB e o PT cumpriram este papel. Agora é tempo do Partido Verde assumir a dianteira, sem medos, sem dúvidas. Sou um dos fundadores do PV e, há 24 anos, espero esta oportunidade. Os verdes (incluindo Marina, que sempre foi verde), estivemos continuamente na minoria visionária, tentando convencer correntes majoritárias a considerar nossas propostas em programas de governos tradicionais. Mas em 2010 podemos inverter a lógica, sensibilizar 30% ou 40% dos eleitores e implantar as bases do ecodesenvolvimento, iniciando um novo ciclo de evolução civilizatória. E influenciar os grandes partidos a refletirem e se atualizarem.

Não podemos terceirizar esta missão. Ela só pode ser realizada por quem acredita e está enxergando adiante. Por mais respeito que tenhamos aos demais candidatos, nenhum saberá liderar este processo. Vejam o exemplo de Dilma Roussef em Copenhangen. Na tentativa de parecer verde, acabou passando por vexames e expondo ao planeta suas limitações. Veja uma das gafes: http://bit.ly/8OzNLS

Os adversários tentam nos fragilizar alegando que o PV não tem dinheiro, governos estaduais, políticos muito conhecidos e outros recursos da velha contabilidade eleitoral. Mas a viabilidade das nossas ideias, o frescor da inovação e a força de Marina Silva não estão em tempo de TV, coligações convencionais, estruturas de campanhas, máquinas de governo.

Por outro lado, as fragilidades de Marina, como tentam pregar, não estão nas suas convicções religiosas. Pelo contrário, sua dimensão espiritual e seus valores filosóficos, mostram que ela reúne os atributos fundamentais para liderar, no Brasil deste século XXI. Liderar pelo exemplo, pelo que já fez, simplesmente pelo que é (sem marketing artificial). Mas também liderar pelo que pode ser e fazer agora e no futuro imediato.

Só Marina tem biografia comparável com a história popular de Lula, tão admirado pelos brasileiros, segundo as pesquisas. E tem todas as condições para sucedê-lo de forma evolutiva, garantindo os avanços conquistados nos últimos governos e agregando novos atributos ao mandato presidencial: como formação acadêmica (sempre estudou muito), compromisso com a educação (é professora), sensibilidade ecológica, múltiplas experiências (sindicais, gerenciais, legislativas, profissionais, internacionais, femininas) e capacidade de liderar sem concentrar poder (uma exigência da sociedade democrática contemporânea, que começa a se organizar em redes horizontais).

Mas a palavra e o pensamento da própria Marina transmitem melhor tudo isso que tento sintetizar aqui. Ela, mesmo falando de coisas racionais e práticas, falando de projetos, política e eleições, consegue emocionar… Portanto, sugiro que você conheça a verdadeira fonte de toda a sua energia, nesta entrevista (link abaixo), que aborda sua dimensão espiritual.

Marina mostra de forma equilibrada, coerente e consistente como lida com religiosidade, ética e política. Os que desejam enfraquecê-la manipulando a religiosidade estarão cometendo grande erro, pois é na espiritualidade que ela fortalece sua capacidade de lutar, com leveza e espontaneidade. Marina tem uma trajetória de vida irretocável como garantia. Em 30 anos de atuação pública não há um fato que demonstre que a sua religiosidade interferiu negativamente na ação política.

Marina nasceu no meio da Amazônia, tem a alma grandiosa e generosa da floresta, cultiva ciência e poesia, alimenta-se de fé e utopias, por isso, está sempre pronta para sobrelevar naturalmente as hostilidades do mundo real. Sua força é natural. E as forças naturais merecem atenção e respeito…

Veja:

“Utopia com pé no chão” – Entrevista com Marina à Revista Cristianismo Hoje: http://bit.ly/6mUKr4

“Marina Silva é o novo, o Lula é o último do velho. Tá fechando o ciclo” Entrevista com o Cineasta Fernando Meirelles (jornal A Tarde): http://bit.ly/4JwRrs

Sergio Xavier, jornalista, ativista eco-político e empreendedor da área de comunicação digital, atuando no pólo de inovação tecnológica do Recife (Porto Digital), onde desenvolve sistemas de gestão de cultura, arte, informação e jornalismo em rede. É um dos fundadores do Partido Verde no Brasil. Já ocupou cargos executivos nacionais no Ministério do Meio ambiente, Ministério da Cultura e Sebrae.

http://www.interblogs.com.br/sergioxavier/index.kmf

Caro Paulo,
Passei um fim de semana Marina Silva.

Ontem o dia todo estive reunido com um pequeno grupo de voluntários empresários, pesquisadores, jornalistas e intelectuais debatendo o significado da candidatura de Marina e uma eventual plataforma de governo. Inclusive ela apareceu por lá.

Hoje cedo acompanhei pela internet a filiação de Marina ao Partido Verde. E passei a tarde conversando com Eduardo Rombauer van den Bosch e Diego de Itu, dois articuladores da rede social Movimento Marina Silva Presidente (http://www.movimentomarinasilva.org.br/), que já conta com mais de 8 mil participantes.

Agora no fim do dia abro minha agenda para preparar a semana e vejo que o tema desta Trip é Honestidade.

Isto é, o fim de semana vai continuar Marina Silva.

Confesso que eu tinha esquecido o que era um político honesto. Não me refiro à honestidade moral, que é caso de polícia. Mas à honestidade intelectual.

Uma pessoa com ideias e atitudes claras, que faz o que acredita, que dá para confiar porque sabe o que pode esperar dela.

Foi um prazer intelectual e uma gratificação emocional enorme estudar o fenômeno Marina e seu potencial de transformação da sociedade brasileira.

Esquece o meio ambiente. Por mais importante que esse tema seja na biografia de Marina, sua contribuição é imensamente maior.

Primeiro, ela vai dar um novo referencial para o nosso povo do que é uma pessoa verdadeiramente elegante, de falas e maneiras finas, contemporâneas e inspiradoras.

Segundo, sua visão de mundo, suas crenças e suas propostas representam de fato o que o povo quer, desejo que ainda não foi manifestado só porque até o momento não houve alguém com credibilidade suficiente e linguagem adequada para liderar a sociedade nessa direção.

Zumbis políticos
Falo da minha experiência pessoal quando puxo o tema candidatura Marina Silva em alguma conversa: todos, de todas as idades, classes, origens e formações, se entusiasmam, sorriem esperançosos de que algo bom e novo pode acontecer.

Confesso que no fundo essa reação tem também algo de vingativo, como se fôssemos nos libertar desses zumbis políticos que cafetinam nossas nobres causas sociais para manter seus projetos pessoais de poder.

Dane-se. Em nome da esperança ou da vingança, quero mais é que Marina agradeça ao Lula pelos bons serviços prestados à nação, encerre este capítulo agridoce de nossa história e reinaugure uma nova era neste país onde ciência, tecnologia e educação pautarão nossos projetos de futuro.

Meio ambiente não é crença, é ciência. Junte ciência e consciência e você tem Marina Silva. E leve de brinde sua fé franca e honesta, o que nos garante que ela serve quem tem poder de fato.

Como você vê, continuo militando pelo que acredito.

Ricardo Guimarães, 60, é presidente da Thymus Branding. 

rguimaraes@trip.com.br

http://revistatrip.uol.com.br/revista/182/colunas/momento-marina.html

Em recente reunião de sua direção o PSOL aprovou a formalização de um diálogo com a pré-candidata do PV à presidência da República, Marina Silva. A presidente nacional do PSOL, Heloisa Helena, comandará a equipe destacada pelo partido para a tarefa. O gesto do PSOL em direção à candidatura de Marina Silva já é em si carregado de forte simbolismo. O PSOL dá sinais claros de que não é um partido estreito e que não se auto-proclama o único detentor das prerrogativas e potencialidades para aglutinar as variadas sensibilidades presentes no campo da oposição conseqüente ao governo Lula. 

O PSOL dialogará com a pré-candidatura de Marina Silva em base a pontos programáticos que julga centrais: busca de coerência política nas alianças eleitorais nos estados; construção de um modelo econômico distinto do atual e em favor da maioria da população; vinculação com as demandas dos movimentos sociais; defesa dos processos de afirmação da soberania e independência dos países latino-americanos; e defesa de um Estado brasileiro verdadeiramente democrático, transparente e sem corrupção.

O gesto político do PSOL, portanto, busca pontos programáticos convergentes com Marina Silva, de forma que uma possível aliança eleitoral possa converter-se em algo superior, uma unidade mais que partidária, que guarde coerência e força suficientes para se materializar em ruptura, num horizonte comum de idéias simples e palatáveis, para que possa ser compartilhado com milhões de brasileiros e brasileiras que querem ética na política, justiça social, respeito aos direitos humanos e responsabilidade com a questão ambiental.

Mas as preocupações do PSOL vão além. A própria democracia que temos no Brasil está em risco. As elites do país sonham com uma democracia em que disputem pra valer o poder de estado apenas dois projetos falsamente antagônicos, como ocorre nos Estados Unidos, por exemplo, onde o Partido Republicano alterna-se no poder com o Partido Democrata desde sempre. No Brasil atual estes dois projetos são encabeçados por um lado pelo PT e por outro pelo PSDB. Em torno destes partidos gravitam os demais partidos fisiológicos e os setores mais poderosos da mídia e do empresariado.

Interessa a estes esta polarização conservadora, deixando aos que não se submetem a esta guerra de faz de conta as migalhas da mera legitimação do seu processo eleitoral. Além de forçar esta polarização no cotidiano da vida da população, estas forças estão em plena ofensiva para varrer do mapa os descontentes, de forma que não possam sequer participar minoritariamente da disputa pelo poder. É o caso da cláusula de barreira que não sai da pauta política do país e contra a qual o PSOL e outras siglas menores vêm lutando heroicamente. É o caso das tentativas de reforma eleitoral que tentam impedir que partidos como o PSOL tenham acesso aos debates de TV e rádio para expor suas idéias. Querem calar completamente as vozes de oposição e independentes.

Portanto, diante deste quadro de ofensiva contra a pouca democracia que nos resta, torna-se ainda mais importante as forças de esquerda, democráticas, populares, progressistas e socialistas, buscarem a unidade para cavar um espaço relevante na disputa real dos rumos do nosso país. Tudo o que as elites querem neste momento histórico grave, em que uma crise econômica movimenta-se perigosamente no subterrâneo da sociedade, é que nas eleições de 2010 o PT e o PSDB sejam as únicas opções relevantes à disposição dos eleitores brasileiros. Esta questão deve ter a devida hierarquia na definição dos rumos da tática eleitoral da verdadeira esquerda deste país.
 
Edilson Silva,  Presidente do PSOL/PE e membro da Executiva Nacional do PSOL.

http://www.psolpe.org.br/

Foi correta a decisão da executiva do PSOL de aprovar uma comissão para dialogar com Marina, explorando a possibilidade de o PSOL apoiá-la. Ao mesmo tempo em que o partido faz essa aproximação, temos que fazer o debate. É bom ou ruim para o PSOL apoiar Marina? Eu estou convencida que não temos outra alternativa se não quisermos cair no isolamento e perder grande parte do capital político que acumulamos nos últimos anos.

Desde a criação do PSOL temos tido uma política acertada no sentido de construir um partido que dialogue com o povo, que não recite fórmulas prontas a respeito da necessidade do socialismo e da revolução mas que ajude a avançar a consciência do povo a partir de suas necessidades concretas. Nosso foco na luta contra a corrupção, pela qual ficamos conhecidos, é uma expressão dessa política. O grande trunfo que sempre tivemos foi Heloísa Helena. Foi ela que nos permitiu esse canal com as massas. Na campanha eleitoral de 2006, apesar de todas as dificuldades, Heloísa chegou a quase 7 milhões de votos. Esse é um patrimônio político dela, mas é também do PSOL. Um patrimônio que não podemos deixar esvair-se nestas eleições.

É claro que se Heloísa fosse candidata a presidente seria diferente. Entretanto, dou total apoio à idéia dela ser candidata ao Senado, nas circunstâncias atuais. Trocar 8 anos de mandato no Senado por 3 meses de campanha, num cenário eleitoral de fortalecimento do governo e de surgimento da candidatura Marina, seria uma loucura completa. Seja quem for o (a) presidente da República a partir de 2011, nosso partido fará uma luta implacável contra a corrupção e em defesa dos direitos dos trabalhadores e dos pobres. A presença de Heloísa no Senado é uma garantia de que o povo brasileiro saberá da luta que estaremos travando.

A conjuntura política não está muito fácil para os revolucionários e socialistas. Mas já passamos por piores. Sem falar na ditadura militar, na década de 90, auge do neoliberalismo, era bem mais difícil fazer política para as massas. Difícil a tal ponto que tínhamos que atuar dentro do PT, um partido que nunca foi dirigido por socialistas consequentes como é o PSOL, e tivemos também que fazer campanha e votar em Lula em 2002, quando ele já tinha até feito um compromisso com o capital (naquela tal “carta ao povo brasileiro”) de manter a política econômica de FHC.

Conscientes da situação, fizemos isso por que sabíamos que chegaria a nossa hora.

Atravessamos essa tempestade, com grande sucesso. Soubemos romper com o governo Lula e com o PT no momento certo, não capitulamos para as pressões que as expectativas em Lula geravam em muitos – inclusive em alguns que felizmente hoje estão no PSOL. Garantimos a legalização do partido para que pudéssemos disputar as eleições seguintes, em 2006. Não traímos nem capitulamos, mas também não fomos para o gueto. Uma grande vitória.

Já o PSTU não teve a mesma sorte. Eu falo do PSTU por que os respeito. São revolucionários e socialistas. Nós também. Mas por que então fundamos um novo partido e não nos juntamos ao PSTU? Responder essa pergunta é fundamental para podermos encarar o debate sobre o apoio à Marina. Fundamos o PSOL por que queremos construir um partido diferente do PSTU. Temos outra concepção sobre o papel dos socialistas no atual estágio da luta de classes. Acreditamos que a melhor maneira de fazer avançar a luta socialista é nos ligarmos aos processos vivos de luta, processos que interagem e fazem avançar o nível de consciência do povo. É lutar para nos credenciarmos desde já como uma alternativa real, não ficarmos falando sozinhos ou para ínfimas “vanguardas”, muitas vezes totalmente descoladas do pensamento do povo. O discurso já ensaiado por Plínio de Arruda Sampaio, postulante a ser candidato do PSOL, é o oposto disso. É o discurso do PSTU.

Para seguir na nossa trilha, e não na trilha do isolamento, a conjuntura nos impõe um pequeno passo atrás em relação a 2006. Não teremos Heloísa disputando a Presidência, então nossa interlocução com as massas vai ficar prejudicada na campanha presidencial. Mas as eleições são para nós um momento tático, quando precisamos nos posicionar da melhor maneira possível num terreno que é sempre mais favorável para a burguesia. Temos que enfrentar esse momento com o menor prejuízo possível para nossa estratégia. Agora imaginem se lançarmos um outro candidato qualquer, ou se apoiarmos o Zé Maria, já lançado pelo PSTU. Com quem vamos falar? Certamente não será com os 7 milhões que votaram em Heloísa pois estes migrarão em massa para a candidatura de Marina. Alguém tem dúvida disso?

Por tudo isso estou convicta de que o melhor para o PSOL é estar com Marina. Ainda não tenho claro se isso será possível, pois para que possamos apoiá-la é preciso que ela queira a nossa companhia, que ela abrace algumas de nossas bandeiras. A reação violenta de Zé Dirceu quando ela falou em aliança conosco demonstra a possibilidade dessa combinação ser bastante explosiva. Setores da burguesia e do PT vão atuar para mantê-la longe de nós. Temos que fazer todo o possível para evitar isso e trabalhar para construir um pólo consequente que combine a luta ambiental com a luta contra a corrupção e pelos direitos dos trabalhadores.

Posicionados nesse campo teremos melhores condições de atravessar esta campanha eleitoral. Quiçá podemos até estar diante de uma grande oportunidade pois Marina pode ser um fenômeno que se iguale ou até ultrapasse o simbolismo criado por Heloísa nas eleições de 2006. Um fenômeno qualitativamente inferior, com certeza, mas que de qualquer forma pode nos render bons frutos políticos, turbinar nossas candidaturas a governador (e é fundamental que tenhamos bons candidatos do PSOL no maior número possível de estados) e até ajudar-nos a eleger parlamentares. Isso vai nos dar melhores condições para a disputa no próximo período. Dilma não é Lula, e os espaços para a esquerda socialista vão se ampliar. As lutas sociais tendem a se intensificar, e nós somos uma referência. Com Heloísa no cenário nacional, com uma bancada combativa e com lideranças respaldadas nos estados vamos nos fortalecer muito e isso será um avanço concreto da luta socialista. Não só dois, mas muitos passos à frente.

Luciana Genro, Deputada Federal PSOL/RS

www.lucianagenro.com.br

O ser humano é o único animal capaz de fazer escolhas conscientes, em que assume responsabilidade por seus atos. Livre arbítrio, oportunidades de escolha, que o faz crescer, desenvolver, vencer etapas, mudar e aprender.

É muito difícil ponderar sobre o desenvolvimento dos indivíduos sem levar em consideração as diferenças sociais e de gênero. A própria história da sociedade responde esta questão, quando mostra a construção da desigualdade entre os sexos ao longo dos séculos. E essa superação repercute no desenvolvimento psicossocial das mulheres com muito mais intensidade.

Cada vez mais a mulher é compelida a responder aos desafios com muito mais eficiência e determinação, moldando uma nova perspectiva, multifacetada nos seus afazeres, no escritório, na fábrica, na lavoura, em casa, como mãe e como esposa, muitas vezes, assumindo sozinha a responsabilidade de seu lar.

As mulheres representam 51% do eleitorado no Brasil. A cada dia alcançam novos patamares de realização participando do parlamento, judiciário, empresas e governos. Entretanto, sua representação no poder político, apesar das iniciativas, do ponto de vista legal, ainda é pouco significativa, não passa de 10% em média. Historicamente, é possível perceber que a mulher sempre esteve presente nas empresas, porém, ocupava lugares inferiores, menos qualificados, sem acesso ao poder, uma vez que seus papéis de esposa e mãe eram os únicos legitimados pela sociedade.

Segundo a Fipecafi (Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras) nenhuma mulher ocupa a presidência das cem maiores empresas do Brasil. Já nos EUA, entre as cem maiores companhias pelo ranking da revista “Fortune”, há seis mulheres na presidência.

Ressalto que política não é apenas candidatura e eleição, como também, a participação nas diversas esferas da comunidade: trabalho social, associação de bairros, ações comunitárias, entre outros. Independente da escolha que faça no espaço político, é importante não ter medo de ultrapassar os limites, os obstáculos que são impostos e, ter em mente sempre que representa ideais de melhoria para um coletivo.

Séculos de opressão cultural não desaparecem da noite para o dia. O processo exige mudanças profundas nos costumes, com a participação da mulher na apropriação de sua subjetividade, na educação social e política dos indivíduos, para que homens e mulheres possam conviver em harmonia, estabelecendo formas mais democráticas e equilibradas de exercício do poder.

Estatísticas demonstram que as mulheres no poder procuram eliminar as desigualdades, incluir as pessoas socialmente, romper as relações de opressão, preservar a natureza, pensando no futuro das gerações. Sem falar nas características marcantes como intuição, flexibilidade e sensibilidade e solidariedade.

Estamos vivendo um momento extraordinário, em que uma mulher, competente, inteligente, verdadeira, preocupada com as questões ambientais, ético/raciais, gênero, sociais, educacionais e econômicas, Marina Silva, que tem uma história de vida fantástica, se coloca à disposição para representar cada uma de nós.

Queremos e buscamos uma concepção de mundo mais fraterno, mais solidário, uma comunidade global sustentável, sem preconceitos. Portanto, Mulheres, vamos ser protagonistas na construção de um novo mundo, onde a eqüidade e a inclusão sejam ações concretas e não apenas propostas. Deixemos as amarras que nos prendem ao nosso mundo, cooperando, participando e atuando neste momento fantástico, que irradiará esperança a muitos corações e mentes, através de uma política alicerçada em princípios éticos e morais.

A sustentabilidade da vida humana perpassa por mais justiça social e oportunidades, mais equilíbrio entre direitos e deveres. Qual a nossa responsabilidade e participação nas mudanças de paradigmas para construirmos uma sociedade mais igualitária e humana?

Como diz o cantor e poeta Guilherme Arantes:
“Amanhã, será um lindo dia, da mais louca alegria, que se possa imaginar!”
“Amanhã! A luminosidade, alheia a qualquer vontade, há de imperar!”
Porque chegou o momento da ética sobrepor a corrupção. Respeitar a Terra e a Vida em toda sua diversidade. Proteger e restaurar a integridade dos sistemas ecológicos do nosso planeta.
“Amanhã! Está toda a esperança, por menor que pareça”,
“Mesmo que uns não queiram, amanhã será de outros que esperam.”

Por mais que as pessoas nao acreditem, este é o momento de mudanças de valores e modos de vida. E nós, as “Novas Mulheres”, temos um papel fundamental nesta mudança!

Paz e Luz!

Rose Bassuma, Pedagoga e artista plástica.

www.rosebassuma.com.br

Tenho certeza que a Mídia Social vai definir as eleições de 2010. Essa frase é parecida com uma afirmação que fiz, em julho de 2008, onde eu usava a palavra “Internet” no lugar de “Mídia Social”.

Apesar da opinião dos nossos principais especialistas em política, que estavam no evento “Efeito Obama” em meados de outubro, eu acredito que teremos no Brasil um impacto parecido com o das eleições americanas de 2008.

Os analistas políticos colocam muitos “porém”, “por causa disso ou daquilo”, mas na verdade não sabem do que estão falando porque ninguém sabe. Se você conseguir ir até o final desse texto terá uma boa ideia do porque dessa minha certeza.

Eleitorado Adormecido

Vamos começar pelo final, daqui a 11 meses, no dia 4 de outubro de 2010. Os eleitores Brasileiros vão escolher, através de suas próprias consciências, o que fazer. Primeiro devem avaliar se vão votar ou justificar, depois definir se há um candidato de sua preferência (mesmo os que não votarão). Essa simples equação terá passado por um complexo sistema de decisão até chegar na ação de votar.

Agora vamos voltar para trás e perceber claramente porque a mídia social vai alterar a balança em seu favor. Na última eleição presidencial o Lula obteve 46.662.365 votos no primeiro turno enquanto o Alckmin 39.968.369. Percebam que a diferença entre eles foi de 6.693.996 votos. As pessoas que resolveram anular o voto somaram 5.957.207 votos, apenas 736.789 a menos que a diferença. Outros 2.866.205 votaram em branco. O que realmente surpreende são os eleitores que optaram por não ir às urnas, 21.092.511.

No segundo turno não foi muito diferente: 23.914.714 de eleitores não compareceram às urnas, 4.808.553 anularam seu voto e 1.351.448 votaram em branco. Nas eleições anteriores (2002) também não foi diferente. Tivemos, no primeiro turno, 20.449.690 de eleitores que resolveram não votar enquanto o Serra recebeu apenas 19.705.061 de votos, além dos 6.976.107 votos nulos e 3.873.720 brancos. No segundo turno não compareceram às urnas 23.589.188 de eleitores enquanto 3.772.138 anularam e 1.727.760 votaram em branco.

Em 1998 foram 22.802.823 abstenções enquanto o Lula recebeu apenas 21.475.211 votos. As abstenções mais os nulos (8.887.091) e os brancos (6.688.371) somaram 38.378.285 enquanto Fernando Henrique Cardoso venceu a eleição, no primeiro turno com 35.936.382 votos.

Em 1994 as abstenções, nulos e brancos somaram 31.409.533. Enquanto Lula recebia 17.126.291 votos, FHC venceu com 34.377.198 votos. Ou seja, há um gigantesco espaço de insatisfação com o atual modelo político que leva um grande contingente de pessoas a anular o voto, deixar em branco e principalmente nem comparecer para votar.

Se as pessoas realmente se motivarem a ir às urnas, se aqueles que protestam anulando seu voto encontrarem alguém merecedor, se os indiferentes perceberem a diferença e os jovens de 16 e 17 anos aderirem ao movimento… Ficou clara a diferença que pode fazer a mídia social através de um movimento colaborativo com um candidato que possa ser um símbolo dessa nova política?

Primeira Pegada

Em junho desse ano, atravessando a Serra da Bocaina com um grupo de amigos ambientalistas, eu tive 4 dias para explicar o que era Mídia Social e porque teria uma importância tão grande nas eleições de 2010. Normalmente, tenho apenas 1 hora numa palestra ou mais algumas em reuniões e conversas, mas ali estávamos em outro ambiente, em outro tempo. Entre as minhas questões para o Brasil estava o fato de que, tristemente, os candidatos conhecidos não tinham o perfil para ativar a Mídia Social. Lamentei também que, aparentemente, não estavam vendo o poder dessa ferramenta de cidadania e estavam sendo orientados por profissionais que não sabem o quanto não sabem. Falei que não me surpreenderia se aparecesse alguém totalmente novo que já vinha se preparando desde o início do ano e não aparecia no radar. Aquele diálogo fez com que um deles entendesse claramente do que se tratava e disse que existia um candidato com esse exato perfil: a Marina Silva.

Importante registrar que isso aconteceu no dia Mundial do Meio Ambiente (5 de junho) a 1.600 metros de altitude no Pico do Gavião do Parque da Serra da Bocaina.

Demorei a entender porque a Marina Silva poderia ser “a” candidata. Já tinha recebido alguns e-mails de pessoas fazendo algum tipo de campanha com o nome dela. O maior problema era ela ser do PT, que além de representar justamente o que precisa ser mudado, tinha muitos pontos impossíveis de contornar para contarmos com a Mídia Social. Quanto mais eu entendia quem era a Marina, mais claro ficava que ela era “a” pessoa para representar esse movimento. Só o que ela já produziu de ações de sustentabilidade para o cenário dos candidatos e do país já lhe permite receber créditos pelas suas pegadas ecológicas.

Hoje acredito que temos uma ótima possibilidade de agregarmos todas as tribos e juntos co-construirmos um Brasil de muitos “Brasis”, cuidado por todos nós. Essa eleição extrapola as fronteiras nacionais. Ela é importante para todo o planeta. Que a miopia, temporária, dos especialistas políticos não nos desanime de “entrar nessa” agora mesmo!

Alan Dubner é diretor da Cybermind Comunicação Interativa, especializado em Marketing Digital, Pesquisa Digital e Internet.

www.itu.com.br

A pergunta é: como manter a esperança, sem alimentar ilusões?

Pensei e pensei, pois há muitos becos sem saída. Revejo um texto antigo, em que me perguntava se o mundo já tinha passado do ponto de não-retorno, e noto como foi se formando essa certeza de estar vivendo numa espécie de ante-presente, um tempo ineficaz, que não se conta nem se pode contar.

Agora vem Marina com esse chamado, como se ainda desse tempo, como se ainda houvesse jeito –e tanta gente acredita e transfere seus sonhos para outra embarcação, que não posso deixar de me comover. Então vem minha filha Veriana, que daqui a uns dias chega aos vinteanos, e me chama para suas conferências e revoluções comunicativas e culturais, o que me lembra, a um só tempo, que minha descendência neste mundo resulta em inevitável compromisso e que ainda posso ensinar algum ofício, afinal necessário ou ao menos prazeroso, aprendido nas andanças e batalhas d’antanho.

Está bem, vamos.

Reservo-me, porém, o direito de alguma reserva: uma ironia que prometo jamais resvalar para o sarcasmo, boa dose de ceticismo sem a impureza do cinismo, um certo enfado para reuniões já reunidas de conversas já conversadas e distrações freqüentes para olhar a paisagem –afinal, não vim à guerra apenas para guerrear. E não me chamem em dias santos.

Levo comigo uma caneta de ponta muito fina, para desenhar, um velho livro com alguma poesia e a certeza da proteção divina. Faz tempo já me passei para o lado do mistério, mas ainda conheço alguns segredos.

Sou bom na água, melhor na terra. Serei de alguma ajuda.

Toinho Alves (Antônio Alves), jornalista, escritor e poeta. Nas décadas de setenta e oitenta participou dos movimentos socioambientais do Acre e da criação do Partido dos Trabalhadores. Foi presidente da Fundação Cultural Elias Mansour, do Governo do Acre (1998/2002), e assessor da ministra Marina Silva. Hoje é consultor e assessor especial do Governo, integra o grupo de editores do site da Biblioteca Marina Silva e assina o blog “O Espírito da Coisa”.

http://tempoalgum.blogspot.com/

Todos sabem que as lutas socioambientais de Marina Silva estão inscritas em sua história e na história.

Todos também conhecem o seu brilhantismo intelectual, já evidenciado quando assistia às minhas aulas de Sociologia e Antropologia na Universidade Federal do Acre, cursando História. Impressionava-me à época, nos anos de 1980, a capacidade de sua elaboração teórica e de colocação de questões relevantes do ponto de vista do conhecimento e do ponto de vista político.

Entre nós havia uma troca de iguais – um profícuo e verdadeiro diálogo de saberes -, assim como tem sido até hoje quando também aprendo com Marina a partir de seu pensamento sempre fértil e original e de suas ações criativas e destemidas. Mas é necessário ressaltar, ainda, que em uma época em que a política é rebaixada em sua importância histórica para a construção do novo, banalizada no espetáculo midiático da modernidade, Marina ainda demonstra ter uma visão ampla do significado de saber e fazer política, mesmo sem poder fazê-lo nos termos que ainda são postos retrogadamente na política brasileira marcada pelo servilismo, favoritismo, bajulações – pelo neo-populismo, neo-coronealismo, neo-colonialismo.

Querendo sempre fazer política em sentido grande, destes “ismos” a ex-ministra nunca compactuou. Nem das históricas pressões de interesses escusos dos ruralistas, dos madereiros e do agro-negócio. Fiel aos seus princípios éticos e a sua visão de mundo alargada, coerente com suas propostas, optou em se desligar de sua função ministerial.

É bom que se diga que, mesmo comprometida com o presente, fazendo a “poética do agora”, seu projeto de futuro é amplo: a construção de um novo projeto societário ou civilizatório que coloque em um novos termos as relações entre os homens e a natureza e dos homens entre si, dentro de um novo pacto histórico; de um novo contrato social e natural que contemple a dança da vida – o respeito a todos os seres vivos.

Essa é Marina que conheço intimamente; ainda remando contra a maré possui um projeto do presente com desdobramentos para o futuro em que o inédito tenha lugar. Em que as gentes da floresta, do mar, da terra, dos rios possam habitar esse futuro numa “casa comum” planetária, com sua rica diversidade cultural e ambiental em que possa haver uma fecunda polifonia de vozes.

Lucia Helena de Oliveira Cunha, antropóloga e Dra. em Meio Ambiente e Desenvolvimento/UFPR, Université Paris 7/Université Bourdeaux.

http://www.bibliotecadafloresta.ac.gov.br/

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